Setenta Anos
SETENTA ANOS A Wedna, uma das minhas irmãs, disse uma vez “essa música que você gosta de tanto cantar tem a ver com a Maria”, eu, confesso, achei estranho, pois jamais tinha entendido assim. À noite, em casa, sozinho, fiquei a ruminar; a música em questão é SOU EU do Ney Lopes e Moacir Santos, contida no CD da Virginia Rodrigues e cantada pelo Tiganá Santana. Hoje, 17 de junho, a Maria, agora espirito de luz, faria 70 anos. Tomei um susto, quando a ilação 1950 e agora 2020, ano surreal, impôs a aritmética, sim, contando os janeiros dá 70. Uma cambulhada de lembranças passou lotadas pelo meu imaginário, foram tão rápidas e intensas que o mutismo me açambarcou por inteiro, não deixei, porém, de saborear o momento. Contar ou rememorar o passado, esse passado quase ontem, esse que, às vezes, parece, presente; não é pra aprendizes; fiotes tentam, ousam,...